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Comida di Buteco
01/03/2010 Comida di Buteco coloca Campinas no circuito gastronômico nacional
Evento que já movimenta mais de R$ 42 milhões em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador e Goiânia chega à cidade para valorizar a culinária de raiz
  A culinária de raiz estará em alta no ano que vem na cidade de Campinas. A partir do dia cinco de março, a cidade sedia pela primeira vez no estado de São Paulo um evento que já completou uma década em Belo Horizonte, atrai turistas do mundo inteiro e movimenta mais de R$ 42 milhões na capital mineira e cidades participantes : o Comida Di Buteco, concurso gastronômico que escolhe o melhor tira-gosto da cidade e que tem como objetivo maior promover as comidas típicas e os estabelecimentos de pequeno e médio porte que mantêm vivos os pratos mais tradicionais da cultura regional.
“A missão do projeto é resgatar a culinária de raiz, presente nos pequenos estabelecimentos familiares. O circuito terá sua primeira versão em Campinas com duração de 17 dias – de cinco a 21 de março -, que incluem quatro finais de semana e a festa da saideira”, conta Eduardo Maya , criador do evento e gastrônomo reconhecido. Em Belo Horizonte, cidade onde o acontecimento é realizado anualmente desde 2000, o Comida se consolidou como o maior evento gastronômico e referência turística da capital mineira. Atualmente ele acontece também no Rio de Janeiro, Salvador e Goiânia e, conta Maya, Campinas foi escolhida para ser a primeira cidade do estado de São Paulo a receber o evento graças à sua “alma botequeira”.
“Campinas tem botecos que funcionam ininterruptamente desde a década de 1940. Isso mostra que a cidade respeita e cultua suas raízes, e comprova a vocação do município e de seus habitantes para o evento”, diz o gastrônomo, que visitou a cidade em novembro para realizar uma pré-seleção de botecos para o concurso. Após o evento em Campinas, outras duas cidades paulistas - Ribeirão Preto e São José do Rio Preto – também sediarão edições do Comida di Buteco ainda em 2010.
Se há alguém que possa falar bem sobre o tema “vocação botequeira da cidade”, esse alguém é o empresário Renato Maudonnet, idealizador do Quarta de Buteco do Coronel Mostarda, competição inspirada no Comida e que se manteve na cidade por seis anos. “Campinas e a população da Região Metropolitana admiram a arte de botecar. Apreciar um bom petisco, tomar uma cerveja gelada em um ambiente agradável com os amigos é um dos programas favoritos dos campineiros. Prova disso foi o sucesso do Quarta, que agora passa a ser incorporado pelo Comida”, explica o empresário, que é sócio local do Comida em Campinas.
Maudonnet ressalta que, apesar de incorporar o festival que já acontecia na cidade, o Comida tem características distintas: em vez dos botecos irem todas as quartas-feiras ao Coronel Mostarda divulgar seus petiscos (como acontecia no evento idealizado por ele), serão os interessados em provar os petiscos que irão degustá-los nos próprios botecos durante os 24 dias do concurso.
“Os botecos estão espalhados por todas as regiões da cidade, da central à periférica. Queremos que os campineiros redescubram sua cidade pela comida”, diz Maya. Ele explica que em todos os botecos haverão urnas lacradas, onde os freqüentadores depositarão as cédulas com seus votos, dando notas para o sabor do tira-gosto (70% do peso do voto), a temperatura da bebida (10%, seja ela qual for, cerveja ou refrigerante, por exemplo), higiene do ambiente (10%) e atendimento (10%). “É importante lembrar que o voto só fica válido se a pessoa preencher completamente a cédula, incluindo o nome e o RG”, reforça o gastrônomo. “A aferição dos votos é extremamente séria e realizada pelo Instituto Vox Populi”, completa.
Além do voto popular, ainda existe um corpo de jurados, composto por jornalistas, chefes de cozinha, donos de restaurantes e botequeiros. Maya conta que cada jurado irá a três botecos e só se identificará ao dono após terminar sua visita. “Desta forma ele consegue avaliar com isenção”, diz.
O concurso traz também uma surpresa para os garçons e para os próprios donos de bar que atendem diretamente a sua clientela: o botequeiro misterioso. “O botequeiro misterioso vai aos botecos e, sem se identificar, vai provar o petisco. Se o garçom, ou o dono do bar, atendê-lo bem, oferecer o petisco que concorre no Comida e incentivá-lo a votar corretamente, na hora ele é premiado com R$ 20,00. É uma forma de incentivarmos o bom trabalho deles”, conta Maudonnet.
Ele ainda revela que haverá caravanas pela cidade, com grupos distintos, que percorrerão diversos botecos em um único dia. “A idéia é mostrar a democracia do boteco. Teremos a caravana do batom, só com mulheres e a da gravata, com empresários, por exemplo”.
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